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Da startup ao contrato corporativo: como estruturar uma holding de tecnologia para operar em múltiplos mercados
Estratégia

Da startup ao contrato corporativo: como estruturar uma holding de tecnologia para operar em múltiplos mercados

BN

Bruno Silva Nogueira

CEO, Hiberia

25 Fev 202510 min de leitura

Por que uma holding?

A decisão de estruturar a Hiberia como uma holding — e não como uma empresa única com múltiplos produtos — não foi tomada por questão de tamanho. Foi tomada por questão de estratégia.

Operar simultaneamente no mercado B2B corporativo, no varejo de SaaS e no setor público exige mais do que um produto versátil. Exige estruturas de governança, ciclos de vendas e perfis de cliente completamente diferentes. Tentar encaixar tudo isso em uma única CNPJ é uma receita para ineficiência.

A holding permite que cada frente tenha sua própria identidade, seu próprio ritmo e sua própria estrutura de custos — enquanto compartilha a infraestrutura tecnológica central, a liderança estratégica e os recursos financeiros do grupo.

A diferença entre os três mercados

Entender as diferenças fundamentais entre os três mercados em que a Hiberia opera foi o passo mais importante antes de qualquer decisão de estrutura.

Mercado B2B corporativo

**Ciclo de vendas:** 30 a 120 dias

**Decisores:** Múltiplos (C-level, TI, Jurídico, Compras)

**Contrato:** Customizado, com SLA, suporte dedicado e integração técnica

**Volume:** Poucos clientes de alto ticket

**Relação:** Parceria de longo prazo, com expansão contínua

Varejo SaaS (PME e pessoa física)

**Ciclo de vendas:** 1 a 7 dias

**Decisores:** Único (o próprio dono do negócio)

**Contrato:** Padrão, assinatura mensal, self-service

**Volume:** Muitos clientes de ticket médio-baixo

**Relação:** Escala, automação, suporte via chat e base de conhecimento

Setor público (licitações)

**Ciclo de vendas:** 60 a 180 dias

**Decisores:** Comissão de licitação, Secretaria, Pregoeiro

**Contrato:** Regido por lei, com garantias, penalidades e reajustes previstos

**Volume:** Contratos de grande valor, baixa frequência

**Relação:** Formal, com fiscalização e prestação de contas periódica

A estrutura que escolhemos

Após analisar os três mercados, a Hiberia foi desenhada com uma camada central de tecnologia e três frentes comerciais distintas:

Camada central (Holding Hiberia):

  • Infraestrutura de IA e automação
  • Desenvolvimento de produto
  • Financeiro e administrativo consolidado
  • Gestão estratégica
  • Frente SaaS (Contabify, chat.Hiberia):

  • Go-to-market digital, self-service e inbound
  • Suporte escalonável via chatbot e base de conhecimento
  • Pricing fixo, sem customização
  • Frente B2B:

  • Equipe comercial dedicada (hunters e closers)
  • Proposta customizada, onboarding assistido
  • Suporte premium com SLA
  • Frente Pública:

  • Equipe especializada em licitações
  • Documentação e habilitação em portais de compras
  • Gestão de contratos públicos
  • Lições aprendidas na prática

    1. Não tente vender da mesma forma para públicos diferentes

    O discurso que funciona para um gerente de TI de uma empresa de 500 funcionários é completamente diferente do que funciona para um MEI que controla as finanças pelo celular. Não tente adaptar — construa narrativas separadas desde o início.

    2. A tecnologia central é o ativo mais importante

    O que permite à Hiberia operar em três mercados simultaneamente é o fato de que os produtos SaaS e as soluções B2B compartilham a mesma base tecnológica. Investir pesado na plataforma central — antes de escalar as frentes comerciais — foi a decisão mais inteligente que tomamos.

    3. O setor público exige paciência e especialização

    Muitas empresas de tecnologia subestimam a complexidade do setor público e terceirizam para despachantes sem expertise técnica. O resultado é ruim. Nossa decisão de ter uma coordenação interna dedicada, com alguém que conhece o processo de ponta a ponta, fez diferença nos primeiros contratos.

    4. Crescer as três frentes ao mesmo tempo é difícil

    Na prática, nos primeiros 18 meses focamos no SaaS para gerar receita recorrente e validar os produtos. Só depois ativamos com mais força o B2B e o setor público. Tentar fazer tudo ao mesmo tempo com um time pequeno dilui o foco e compromete a qualidade em todas as frentes.

    5. A holding cria credibilidade

    Apresentar-se como uma holding de tecnologia — em vez de uma startup — abre portas diferentes. Especialmente no B2B e no setor público, onde credibilidade e solidez jurídica da empresa fornecedora fazem parte dos critérios de decisão.

    Para quem está considerando esse caminho

    Estruturar uma holding faz sentido quando você tem — ou tem planos claros de ter — mais de um produto ou mais de uma frente de mercado. O custo administrativo adicional é real, mas os benefícios em termos de organização, governança e credibilidade compensam quando a escala começa a aparecer.

    Se você está no início e tem apenas um produto e um mercado, foque nisso antes de qualquer coisa. A holding vem depois — quando a complexidade justifica a estrutura.

    Se quiser conversar sobre esse modelo, nossa equipe está disponível para um papo estratégico sem compromisso.

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